Voltou a enganar-se.
Macia.
Onde danço nas ruas com a genuinidade de quem se olha ao espelho pela primeira vez e gosta do que vê, pensando ser outra pessoa. Até que as cordas vocais se soltem, até que o riso se expanda ao infinito.
Deixa-me rir! Sorrir não chega, cantar não chega, olhar, ver, observar… não chega!
Deixa-me rir! Até doer a barriga, até saltarem lágrimas dos olhos (as lágrimas todas), até os ossos se soltarem do resto do corpo (para fazerem a própria melodia).
Deixa-me rir! Constantemente. Impensadamente. Desalmadamente. Perdidamente!
Deixa-me rir! Ver em cada estrela um passo, como sempre. Ver em ti o caminho. Agora!
Ser. Sonhar. Sentir.
Deixa-me rir!
Rir!
Rir!
Rir!
Até que o meu GRITO enfurecido se solte de mim!
E chegue a ti!
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Obrigado.
Celebra-se hoje o Dia Mundial da doença de Alzheimer. Aquela que aparece lentamente, cujos sintomas são pequenos e insignificantes esquecimentos, mas que o passar do tempo e o avançar da idade transformam numa doença grave e sem retorno.
Tu foste só mais uma vítima no meio de milhares meu anjo. Infelizmente. Esquecias-te do avô, da mãe e de nós, querias ir fazer comida para os teus pais, dizias que aquele “hospital” tinha o chão igual ao da tua casa (porque era mesmo a tua casa e não a reconhecias), tentavas fugir, tiravas a chave da porta, tinhas ataques de hipotermia… Enfim, tantas coisas que nos assustavam.
Mas quando voltavas a ti eras a pessoa mais doce do mundo. Gostavas de beijinhos, de atenção, de carinho. Abraçavas-nos com espanto e com alegria, como quem não nos via há anos e estava cheia de saudades.
E tinhas um sorriso do tamanho do mundo.
Agora já não tens aqueles ataques, já não te esqueces de nós, já não foges de casa.
Mas também já não te podemos dar beijinhos, nem abraços, nem podemos ver o teu sorriso e dizer como estás bonita com o cabelo arranjado.
Já não te posso chamar piquena, nem canita, já não podes dizer que estou crescida.
A realidade é que quando me disseram há dois dias “vem ali a tua avó”, hesitei… O mais normal seria perguntar qual e, caso fosses tu, ir-te ajudar e abrir-te a porta.
Agora tens uma nova morada.
Já não necessitas dos nossos cuidados nem dos nossos mimos. Já não necessitas dos beijinhos.
Agora sentes tudo de uma outra forma, uma forma que não necessita de um corpo, da parte física.
Agora és mais livre que nunca meu anjo!
Que nó se formou dentro de mim quando te fui visitar! Ou melhor, quando fui visitar o teu corpo!
Porque, mais do que nunca, estás comigo, connosco.
A dor persiste, a saudade cresce.
Adoro-te!
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(prometo que vou trazer uma foto para mostrar a todos como eras bonita)
Para ti o mundo sempre foi pequeno. Tu, que não tinhas medo da escuridão, e que andavas de mota com a facilidade de quem anda de triciclo.
Agora o mundo ficou mais pobre, muito mais pobre mesmo, mais frio, mais seco, MAIS INSUPORTÁVEL!
Gostava de dizer com um sorriso que sei que agora estás bem, porque a tua alma se libertou… de um cérebro que já lhe tirava a lucidez, de um coração já cansado de bater, de um corpo já pesado e já cansado de viver.
Gostava de te oferecer o meu sorriso sim, avó, mas as lágrimas não se cansam de saltar dos olhos e escorrer pela cara. Está difícil demais!
Agora és o meu anjinho!
Foste aquela avó paciente. Aquela que não ficava um Verão sem nos levar à praia, que nos ensinou que aquele túnel fazia um eco único, que nos dava o primeiro jantar de todos os dias (o outro era em casa), que fazia as melhores couves com feijão do mundo, os melhores bolos do mundo. Tinhas paciência para nos aturar aos serões (eu adorava os de Inverno, com a braseira de baixo da mesa que me aquecia todinha) e durante as tardes todas em que não tínhamos aulas ou estávamos de férias.
Eras aquela avó doce e brincalhona, que não dispensava o sorriso.
Mesmo quando estavas a sofrer! E sinto-me estúpida e egoísta por só conseguir chorar!
Obrigada, anjinho, por esse mesmo sorriso e pelos dois beijinhos, horas antes de teres partido, e por me teres conhecido nessa, que eu estava longe de imaginar que seria a última vez!
O meu aniversário é que não tinha que ser hoje...
Foi no dia vinte e três de Julho de mil novecentos e oitenta e sete.

Quis voltar ao cais e não conseguiu.
Precisava de absorver a energia do sol e a força das ondas.
O tempo não permitiu.
Sem rumo, saiu de casa e passeou-se pelas ruas da cidade.
Sentia-se sem destino.
O sol brilhava – queimava mesmo – mas ela mal sentia.
Sentou-se num banco de um parque abandonado pelo tempo e encostou os joelhos ao peito.
Não olhou o horizonte, como de costume.
Fechou os olhos com força, como que a querer que as veias jorrassem o sangue que sentia ter em demasia.
Os três sorrisos ainda não tinham dado resultado, e não percebia o porquê. Já nem os três sorrisos a confortavam!
O mundo que, aparentemente, teria ganho cores, parecia querer voltar ao preto e branco.
Para quê? Para quê predispor-se a sentir aquela energia se no instante seguinte iria perder tudo de novo?
Precisava de morrer por instantes para renascer mais tarde!
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Escrevi este texto do nada e dediquei-o à minha querida Neia. Hoje ofereço-o a todos vós!
Na realidade, tenho um rumo… ou vários!
E apesar de querer olhar o horizonte e mais além, estou centrada nos livros e apontamentos.
É por isso que no próximo mês vou andar ainda mais desaparecida…
De facto, o tempo não vai permitir…
E tudo o que vou poder absorver resume-se a letras e frases e ideias.
O sol virá depois!
E sim, os sorrisos ajudam sempre!!
Vim. Cheguei. Esperei. Andei. Drama. Luta. Esforço. Conquista. Fiquei. Mudei. Parei. Olho. Lábio. Mão. Corpo. Corro. Ando. Salto. Nado. Nada. Tudo. Continuei. Continuo. Continuarei. Lágrima. Sorriso. Obstáculo. Vitória. Vazio. Cheio. Cheiro. Sinto. Pinto. Escrevo. Letra. Frase. Estrofe. Poema. Risco. Página. Desafio. Enigma. Atenção. Destreza. Arte. Faculdade. Amor. Amizade. Vida. Dúvida. Certeza. Quero. Falo. Calo. Hoje. Sinto. Sempre.
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O sentido (atenção à pluralidade de sentidos) está lá,
por vezes precisamos é de uma lupa….
Aquela menina com um coração pequenino.
Com alguma frieza até.
Andou quilómetros. Sempre calçada.
A uma determinada altura tirou os sapatos…
Porque és um hino à mulher e à maternidade,
Hoje não te escrevo muito…
…Admiro-te mais!
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Este dia é especial porque tu existes.
E é teu, mas é meu também.
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Obrigada!
Beijinhos e muitos, muitos PARABÉNS!