Sei que estiveste comigo o tempo todo e que te lembraste de mim estrelinha.
Obrigada.
E desculpa, não fui ao cemitério rezar por ti.
Não gosto, sabes que não gosto.
Prefiro conversar contigo ou escrever-te estas “cartas”.
Obrigada por continuares a fazer-te sentir, e por permitires que eu continue a sentir o teu sorriso e o teu carinho.
Estás, há quase um ano, nesse mundo que desconheço, que acredito ser lindo o suficiente para que te sintas bem.
Mas fazes falta por aqui. E eu sinto-a muito.
Luto todos os dias para chegar à noite e pensar que fui feliz, que valeu a pena, e faço-o sempre a pensar em ti.
Quero que tenhas orgulho nesta neta.
Foi no dia vinte e três o meu vigésimo terceiro aniversário, o primeiro sem te ver e sem te tocar.
O primeiro fisicamente sem ti. Mas contigo no lado esquerdo do peito.
Mas afinal quem foi este homem que causou tantas discrepâncias de opiniões?
Foi Saramago.
Como a própria planta que lhe deu nome, cujas raízes são apreciadas como condimentos picantes, ricas em vitamina C, potássio, cálcio, magnésio, fósforo, óleos voláteis, como o óleo de mostarda, que tem propriedades antibióticas, muito apreciada por uns e nem tanto por outros, também Saramago, o nosso Nobel, se revelou desde cedo um homem rico. Rico em carácter, em honra, em sabedoria, em amor à vida, em ideais.
Era um homem do mundo, que punha a liberdade no topo da sua ambição. Amado por uns, odiado por outros, que também, ao longo da vida, foi criando “anticorpos” contra quem o criticava – dando uso ao seu nome e “bebendo” dele.
Rebelde, astuto, inteligente. Sem dúvida, magnífico.
A sua leitura, estranha no início, revela-se depois muito agradável, dado o seu carácter fluente e natural, sem pausas longas, com um ritmo muito próprio. E os seus enredos permitem-nos como que uma “invasão”, de forma a fazermos parte dos mesmos e vivermos e sentirmos o que descreve.
Mas este homem, antes de ser homem foi menino… Que menino?
José de nome. Simples, lutador, interessado no mundo…
Há uns dias recebi de um amigo uma mensagem de telemóvel: “Hoje de manhã estava a ler uma notícia do Saramago em que diziam que ele gostava de olhar o mar… e lembrei-me de ti!”
Orgulho imenso senti nesse momento, embora milhares de pessoas neste mundo gostem de olhar o mar…
Na realidade, a Azinhaga onde nasceu Saramago não foi a mesma onde eu nasci, nem tão pouco foi a mesma que é hoje em dia – mais evoluída por sinal, mas ainda assim simples e bela.
No seu tempo era tudo mais pobre, as pessoas andavam descalças na rua, não sabiam ler nem escrever… Mas nem por isso eram menos sábias ou menos boas pessoas. Pelo contrário, eu creio. Viviam-se mais os afectos, vivia-se mais cada dia porque nunca se sabia o que viria depois. Apreciava-se mais cada pormenor de uma paisagem, o leito de um rio, o sorriso num rosto qualquer.
E ser simples, lutador e amante da vida não é de todos.
Ser ribatejano está nos genes, é ter garra, querer sempre mais sem esquecer as origens, que tanto são orgulho para cada um de nós. Ser ribatejano é isto. É ser genuíno. Como Saramago sempre foi.
E Azinhaga é isto mas num perímetro mais reduzido, é ter estas características e envaidecer-se com elas, é dançar nas ruas com a genuinidade de quem se olha ao espelho pela primeira vez e gosta do que vê, pensando porventura ser outra pessoa.
Todos nós sabemos que viveu em Lisboa, mas era das férias que gostava, passadas nesta nossa aldeia, a mais portuguesa do Ribatejo, que revitaliza quem cá passa porque permite beber dela, viver nela, ser-lhe coração.
Azinhaga é isto, é Ribatejo, éborda-d’água, lezíria, é campinoe é ceifeira, é pescador, é folclore. Éamor.
E o carácter de Saramago não deixava margem para dúvidas. Azinhaguense por natureza, ribatejano de alma e coração, português por orgulho. Nosso. Saramago.
(Este sopro foi escrito por mim e publicado no jornal "O Riachense". Quando a edição on-line for actualizada o link será colocado aqui, por forma a que todos possam ler a reportagem na íntegra, bem como o jornal em si. Obrigada.)
Tornou-se, este, o meu novo refúgio (o cais continua lá, no mesmo sítio, a disponibilidade para o frequentar é que tem vindo a diminuir).
No céu está a minha ambição e estão os meus sonhos.
Reflicto nele o quão longe quero chegar.
É lá que está o sol que traz calor aos dias,
as estrelas que iluminam as noites (e as estrelinhas de cada um a olharem por todos nós),
as nuvens que têm tanto de confortável por se parecerem com o algodão suave, como de desconfortável ao dificultarem a nitidez do azul lindo como forma de simbolizarem obstáculos a ultrapassar,
e os planetas e cometas e outros tantos que nos mostram que não estamos sozinhos.
Vivo num rés-do-chão, mas quando me debruço na janela consigo tocar lá.
Naquele céu que é meu.
Basta querer.
Basta fechar os olhos, abrir os braços e sorrir com convicção.
Se cair não me magoo muito, e sinto sempre que aqueles segundos valeram a pena.
Aprendi, já, que não somos o que comemos nem o que vestimos. Somos o que pensamos, o que desejamos.
Aquele café que estava difícil de se concretizar, que ela fez questão de pagar…
Ele era o mais improvável amigo que o A imaginava capaz de suscitar interesse nela.
E nada nessa noite indicava o contrário.
Ela teria 20 e ele 28 anos.
Foi o café…
um olhar ou outro…
uma troca quase inesperada de números de telemóvel, já no final.
Nada mais.
Estava certa, dizia ela, de não querer ninguém.
Depois veio um jantar…
um beijo…
e outro…
e o último que trocaram foi na manhã de hoje.
E os dias passaram a ter mais cor, uma nova textura, um novo sabor (mais doce, por sinal).
Hoje as certezas são outras e são comuns.
Ela tem 22 e ele 31 anos.
Este post não tem o propósito de comemorar nenhum aniversário, mas sim a vida.
Pequenos momentos, como este, que fazem a diferença.
Este post tem um duplo significado: responder a um desafio e desejar a todos um óptimo Natal!
Por partes…
Tenho, além deste, outros dois desafios para responder e a opção por este prende-se exactamente ao facto de estar relacionado com a época que estamos a viver.
Foi-me proposto pela minha querida Violeta, a quem mando desde já um enorme beijinho!
Aos restantes irei responder mais tarde, as minhas desculpas.
As regras do desafio são as seguintes:
Passar um Natal muito feliz.
É o que todos esperamos sempre! E vamos fazer por isso :)
Exibir o selinho no blog
Ok, é para já!
Mostrar fotografias da vossa árvore de Natal, presépio e decorações de Natal
Posso responder a esta parte mais tarde? O tempo é de estudo intenso e mal tive tempo de montar o presépio. Contudo, não somos muito “festivaleiros” cá em casa. Um presépio simples com uma simples árvore de natal e algumas luzes. Não esquecendo as botinhas na chaminé, claro!
Contar como costumam passar o Natal. A véspera e o dia, onde vão, o que não pode faltar na mesa, a que horas abrem as prendas, tradições, enfim, o que quiserem partilhar...
Na minha casa sempre houve crianças.
Primeiro as minhas irmãs mais velhas, depois eu e a minha irmã mais nova, entretanto os meus sobrinhos mais velhos e agora os dois mais pequeninos que têm 6 e 7 anos.
No dia 24 jantamos cedinho o bacalhau com couves, como manda a tradição, e vemos filmes de natal e contamos histórias aos mais pequeninos. Depois vamos deitá-los e os sobrinhos mais velhos ficam com eles - pois porque apesar de serem mais velhos serão sempre sobrinhos, logo, sempre crianças - não sem antes deixarem um sapato ao pé da lareira da nossa sala.
Normalmente deixam também um copo de leite e uma bolacha em cima da mesa. Entretanto os adultos preparam-se para ir buscar os presentes aos sítios mais inimagináveis e tratam de os organizar em montinhos, cada um com o sapato da pessoa a quem se destinam.
As crianças mal dormem, mesmo “sabendo” que o Pai Natal só vem quando adormecerem!
No dia 25 acordamos todos cedo, normalmente com eles a perguntarem se já podem ir para a sala, e esta é a parte mais gira, que é vê-los com aquelas caras de felicidade por saberem que o pai natal não se esqueceu de aparecer por cá e que até bebeu o leitinho!
No fim de tudo aberto e da sala toda de pantanas :p vamos à missa e almoçamos roupa velha.
À noite vêm os meus primos e os avós e jantamos todos juntos e convivemos até chegar o sono.
Não pode faltar o bacalhau, os felhozes e uma sobremesa da madrinha, independentemente do que seja, porque são todas de comer e chorar por mais :p
Passar o selinho e o desafio a 3 blogs que achem especiais
Deixa-me rir! Como se não houvesse amanhã, como se não houvesse mais hoje.
Até que as cordas vocais se soltem, até que o riso se expanda ao infinito.
Deixa-me rir!Sorrir não chega, cantar não chega, olhar, ver, observar… não chega!
Deixa-me rir! Até doer a barriga, até saltarem lágrimas dos olhos (as lágrimas todas), até os ossos se soltarem do resto do corpo (para fazerem a própria melodia).