Para ti o mundo sempre foi pequeno. Tu, que não tinhas medo da escuridão, e que andavas de mota com a facilidade de quem anda de triciclo.
Agora o mundo ficou mais pobre, muito mais pobre mesmo, mais frio, mais seco, MAIS INSUPORTÁVEL!
Gostava de dizer com um sorriso que sei que agora estás bem, porque a tua alma se libertou… de um cérebro que já lhe tirava a lucidez, de um coração já cansado de bater, de um corpo já pesado e já cansado de viver.
Gostava de te oferecer o meu sorriso sim, avó, mas as lágrimas não se cansam de saltar dos olhos e escorrer pela cara. Está difícil demais!
Agora és o meu anjinho!
Foste aquela avó paciente. Aquela que não ficava um Verão sem nos levar à praia, que nos ensinou que aquele túnel fazia um eco único, que nos dava o primeiro jantar de todos os dias (o outro era em casa), que fazia as melhores couves com feijão do mundo, os melhores bolos do mundo. Tinhas paciência para nos aturar aos serões (eu adorava os de Inverno, com a braseira de baixo da mesa que me aquecia todinha) e durante as tardes todas em que não tínhamos aulas ou estávamos de férias.
Eras aquela avó doce e brincalhona, que não dispensava o sorriso.
Mesmo quando estavas a sofrer! E sinto-me estúpida e egoísta por só conseguir chorar!
Obrigada, anjinho, por esse mesmo sorriso e pelos dois beijinhos, horas antes de teres partido, e por me teres conhecido nessa, que eu estava longe de imaginar que seria a última vez!












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